Logicamente que o título é um exagero de minha parte, ninguém em sã consciência gostaria de ficar trancafiado e isolado do mundo sendo regido por regras o tempo todo, no entanto, o título pode ser até real dada as condições que muitas pessoas vivem em estado de miséria e riscos de todo o tipo, em várias partes do mundo.
Estar numa prisão destas, pode ser mais "libertador" que qualquer outro lugar, mas isto são exceções.
Esta prisão, comumente conhecida como "prisão 5 estrelas" não é novidade para um artigo, no entanto, não poderia deixar de registrá-la no Blónews e dar a nossa impressão sobre este local. Devido a arquitetura incrível e imponente, poderia ter até colocado na categoria laranja, mas preferi colocar aqui, pois o que mais chama a atenção é que, esta construção, que serviria muito bem como um shopping, é considerada por muitos como a prisão de Leoben, na Áustria.
O projeto é dos arquitetos da Hohensinn Architektur. Devido a localização e topografia, o prédio ficou totalmente voltado para a cidade com grande destaque.
Quem enxerga pela primeira vez a estrutura envidraçada, transparente e aparentemente aberta, não acredita que possa ser uma prisão, e não é. Ocorre uma confusão tremenda em blogs e até canais importantes dizendo que aquele prédio é a prisão, quando na realidade, a parte da frente é o complexo administrativo judiciário e o tribunal, ou seja, o Centro de Justiça e a parte de trás da arquitetura fica reservada para a prisão.
Logicamente que funcionários públicos e presidiários (ou detentos) não convivem juntos, pois são ambientes separados. Sinceramente, não é a arquitetura da prisão em si que chama a atenção e sim o conceito de espaço prisional.
Em termos de design, foi projetado para que, guardada as proporções, os detentos pudessem ter uma condição e qualidade de vida semelhante ao cotidiano em liberdade. Nesta prisão eles tentam criar condições de vida, lazer e trabalho para reabilitá-los e integrá-los na sociedade novamente. Condição e intenção "parecidíssima" com o nosso sistema penitenciário falido.
Os ambientes são divididos em "unidades de internação" (ou células) para até 15 detentos, mas calma aí... não são 15 detentos por cela, cada um tem a sua. São unidades independentes que possuem cozinha, banheiros, sala de ginástica, sala de estar e uma varanda para curtir um "ar".
A cela tem uma janela enorme que permite uma entrada de sol excelente. Podem fazer sua comida, utilizam suas próprias roupas e os talheres são de metal.
Muitos sistemas penitenciários mundo afora tem se esforçado em desenvolver tecnologias para controlar presos e impedir fugas mais do que qualquer outra coisa. Investe-se alta tecnologia em vigilância, circuitos internos, muros, concretos, grades, armamentos. Foca o ser humano como um animal preso e que o dever deles é garantir que este "animal" ficará preso conforme o tempo estabelecido por um juiz.
A visão dos austríacos é totalmente diferente, renovada. Permitem que os detentos tenham uma vida próxima do normal e sua máxima é "por fora, segurança máxima, internamente, liberdade máxima".
No conceito simples deles "as barras são para garantir a segurança dos presos e permitir à eles o tempo necessário de ressocialização".
Para cada 205 detentos, tem um guarda. Em termos de média, o Brasil tem cerca de 293 detentos por presídio e cada "vagal" custa em média R$ 900 por mês ao contribuinte (não seria melhor dar esta grana e fazer um acordo com este marginal para não ter que roubar?! Ah... mas tem o Bolsa Família e ainda assim continuam roubando, não daria certo).
Mas agora a bomba! O presidiário em segurança máxima federal custa em média R$ 4,8 mil por mês, isto é salário de muita gente pós-graduada e que trabalha 44 horas por semana! Uma observação, em 1995 tínhamos 148 mil presos e agora são 470 mil presos! Estão prendendo mais? Não se iluda com o "conto da carochinha"! Estão roubando mais! A crise só não está acontecendo nos noticiários manipulados.
No mais, o hotel, quer dizer, a prisão... tem um ginásio, sala de oração, biblioteca e sala de visita íntima que pode durar até 24 horas. Alguns questionam se este tipo de conceito traz mais ou menos resultado para a sociedade, eles ainda falam que é cedo identificar o custo x benefício. Quatro anos ainda não é tempo suficiente para responder esta questão.
A obra (Centro de Justíça e prisão) custou 46 milhões de euros e tem cerca de 17 mil m2. Demorou 24 meses para ser construída. No Brasil, uma prisão em média custa R$ 22 milhões.
Para encerrar, tem uma frase logo na entrada do prédio: "Todas as pessoas privadas de liberdade devem ser tratadas com humanidade e com respeito pela dignidade inerente à raça humana", tal frase foi retirada do International Covenant on Civil and Political Rights (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos).
Apesar do Brasil ser signatário desde 1992, parece que Brasília ainda não conseguiu entender o que isto significa, mas não se preocupe, já existe um ministro, dois senadores, cinco deputados, 50 assessores e mais 500 CCs que estão se empenhando bravamente para interpretar e poder aplicar o tal pacto.
Se 60% da população continuar votando "certo", vamos ver isso se realizar no dia de "são nunca"! Mais sobre esta vergonha, veja aqui (em inglês).
Nota: vídeo demonstrativo (em inglês) da prisão após as imagens.
Observação: este artigo não é apenas uma observação arquitetônica e sim uma crítica ao sistema penitenciário brasileiro, que não é culpa apenas dos governos atuais (federal, estadual e municipal) como de vários governos anteriores. Não sou de "esquerda" e não sou de "direita", mesmo porque esta divisão hipócrita e de visão medíocre não existe na prática. Sou apenas um cidadão e contribuinte que joga o dinheiro na lata do lixo chamado "cofre-público". Acredito sim em um sistema penitenciário mais eficaz que os atuais com fins de ressocialização, logicamente que não "salvará" todos, mas uma grande parcela poderia ser recuperada. Reconheço que "crime" e "política" são dois assuntos polêmicos e respeito o ponto de vista de cada um, sem necessariamente aceitar.
Fontes principais: The New York Times e Hohensinn Architektur.
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